segunda-feira, 6 de outubro de 2014

ABUSO DE ANIMAIS E COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL

        Todos os tipos de comportamentos antissociais que incluem agressão e violência  são perturbadores, não só para o indivíduo que os pratica  como  também para a sociedade. A história de comportamento antissocial em jovens é considerada por alguns estudiosos no assunto como preditiva de muitos problemas durante a vida adulta, incluindo o comportamento criminoso, fracasso no trabalho e relacionamentos  afetivos conturbados. Cada vez mais as pesquisas sobre o tema dão conta que comportamentos agressivos ocorrem dentro do contexto de outros comportamentos antissociais, como mentir, roubar, destruição de propriedade, assalto, crimes sexuais e outros crimes violentos. Dentro deste contexto, o abuso de animais pode ser considerado também como um indicativo de formas mais graves de comportamento antissocial.
         O Abuso de Animais pode ser definido como comportamento socialmente inaceitável que intencional e voluntariamente provoca dores, sofrimento ou angústia e/ou a morte de um animal, ou seja, um ato que cause sofrimento tanto físico como psicológico a um ser não humano. Aprofundando-se no tema, verifica-se, na maioria das definições, uma dimensão comportamental que inclui os atos de omissão (por exemplo, negligência) e atos de comissão (por exemplo, bater no animal). Assim, uma importante dimensão de abuso de animais é o indício de que o comportamento ocorreu propositadamente.  A exigência de intenção deliberada para causar dano exclui comportamentos que causam dor, sofrimento ou angústia para os animais como consequência de outros comportamentos, tais como, procedimentos veterinários ou práticas que fazem parte de animais de criação e da agricultura em geral.

           Motivações Para o Abuso de Animais

    Vários autores enfatizam a importância de determinar as motivações subjacentes ao abuso de animais, para melhor compreender o comportamento, e em particular o seu relacionamento com a violência humana e agressão.  Foram propostas nove categorias de motivações:
1-    Tentar controlar um animal (como bater em um cão para parar de latir).
2-     Retaliação (utilização de punição extrema para uma transgressão realizada por parte do animal).
3-     Preconceito contra uma determinada espécie ou raça. Tal motivação é acompanhada pela crença de que o animal em particular não é digno de consideração moral.
4-      Expressão de agressão através de um animal (como lutas de cães).
5-     Agindo fora da motivação para melhorar a própria agressão (como o uso de animais para prática de alvo ou para impressionar os outros).
6-     Para chocar as pessoas para diversão.
7-     Como vingança (por exemplo, matando ou mutilando o companheiro animal de um vizinho de que não gosta).
8-     Deslocamento de agressão de uma pessoa para um animal.
9-     Sadismo não específico, que se refere ao desejo de infligir dano, sofrimento ou morte na ausência de quaisquer sentimentos particular ou hostil em direção a um animal. A meta principal expressa dentro desta motivação se deriva do prazer de causar o sofrimento. Este motivo pode estar relacionado a um desejo de exercer poder e controle sobre um animal como uma forma de compensar sentimentos de fraqueza ou vulnerabilidade.

  Os estudos sobre o assunto ainda estão em curso, limitações ainda existem no que se refere à metodologia, grupos controles, etc. , porém é inegável a necessidade de levar em conta a correlação entre abuso animal e comportamento antissocial  e agressivo. Abuso contra os animais além de serem alarmantes por si só, são comportamentos criminosos que se desviam das atitudes morais e éticas da grande maioria das pessoas.

Publicado em:
 A Hora Veterinária – Ano 32, nº 191, janeiro/fevereiro/2013

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