A utilização
dos animais tanto para a pesquisa como para o ensino é um assunto bastante
controvertido que tem levantado polêmica desde muitos anos. Já na antiguidade o
tema era discutido. Hipócrates utilizava os animais para fins didáticos,
relacionando seus órgãos com os órgãos humanos. Galeno utilizava os animais
para a realização de vivissecções, com o objetivo de testar e observar as
reações provocadas, sendo um dos precursores da experimentação animal.. O
pensador Francis Bacon defendia uma atitude experimentalista em relação aos
animais, defendendo a filosofia da dominação e manipulação da natureza. Com
Descarte, o racionalismo se sobressaiu, com sua frase “Cogito ergo sum- penso,
logo existo”, separando o homem dos demais seres vivos; relacionava a alma ao
pensamento e a sensibilidade, e os animais não tendo alma, não poderiam sentir
dor. Nessa época, difundiu-se na Europa a prática da vivisseção. Jeremy Benthan
foi o filósofo que reconheceu como um princípio moral básico a igualdade de
interesses, aplicando-o a outras espécies da mesma forma que aplicaria a
espécie humana, ou seja, os interesses de cada ser afetado por uma ação devem
ser levados em conta, e receber o mesmo peso que os interesses semelhantes de
qualquer outro ser. O autor, em 1789, lança as bases para o tema bem-estar animal, com o a pergunta: A questão não é, eles são capazes de raciocinar, nem São capazes de falar mas
sim,Eles são capazes de sofrer? Ou seja,o que confere a um ser o direito
a igual consideração com outros seres é o direito de sofrer e/ou de sentir
prazer ou felicidade. A publicação do livro Animal
Liberation de Peter Singer , em 1975, iniciou um debate sobre a utilização
de animais para experimentação, onde o autor denuncia o uso de animais
principalmente pela indústria cosmética, o que deu início a uma série de
manifestações públicas.contra tal fato. Nesse mesmo período, os experimentos
realizados pelas Forças Armadas Americanas, tanto com macacos como com cães da
raça beagle provocou uma onda de
protesto nos Estados Unidos. As definições realizadas por Russel e Burch, em
1959, que publicaram os 3 Rs da Experimentação animal: replace, reduce, refine, tem orientado a utilização de animais em
pesquisas científicas. Devem ser respeitados
critérios mínimos, que imponham limites de dor e sofrimento aos animais e os
projetos necessariamente devem ser avaliados por um comitê independente.
Em relação a utilização de animais para fins didáticos, uma mudança está
em curso. A pressão da opinião pública tem alavancado o desenvolvimento de
modelos inanimados e outros métodos substitutivos a utilização de animais vivos
e sadios para o ensino. Nos Estados Unidos e Canadá e mais timidamente, também
no Brasil, o número de escolas de Veterinária que utilizam animais vivos para
suas práticas cirúrgicas vem decrescendo. Buyukmihci afirma que
a morte de animais no ensino de Medicina Veterinária continua mais por
conveniência ou hábito, e não por que é pedagogicamente necessário, existindo,
no momento, muito mais alternativas do que matar animais sadios. Os estudos
buscando alternativas para disciplinas como fisiologia, farmacologia e cirurgia
tem avançado bastante. No Brasil, já tem escolas utilizando somente cadáveres
para o ensino de cirurgia, enquanto que outras utilizam também peças
provenientes de abatedouro, bem como a realização de programas de esterilização
de caninos e felinos, que são disponibilizados aos alunos com o objetivo de
promover treinamento cirúrgico aos acadêmicos e de inseri-los nas questões humanitárias que envolvem o bem-estar
animal.
A questão da ética e do bem-estar animal que começa a ser discutida
dentro da comunidade acadêmica e científica sinaliza novos tempos que passa
pela conscientização a respeito do BEA e
caminha para as mudanças que virão
decorrentes desse processo.
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