domingo, 5 de outubro de 2014

Um pouco de história sobre o BEA.

A utilização dos animais tanto para a pesquisa como para o ensino é um assunto bastante controvertido que tem levantado polêmica desde muitos anos. Já na antiguidade o tema era discutido. Hipócrates utilizava os animais para fins didáticos, relacionando seus órgãos com os órgãos humanos. Galeno utilizava os animais para a realização de vivissecções, com o objetivo de testar e observar as reações provocadas, sendo um dos precursores da experimentação animal.. O pensador Francis Bacon defendia uma atitude experimentalista em relação aos animais, defendendo a filosofia da dominação e manipulação da natureza. Com Descarte, o racionalismo se sobressaiu, com sua frase “Cogito ergo sum- penso, logo existo”, separando o homem dos demais seres vivos; relacionava a alma ao pensamento e a sensibilidade, e os animais não tendo alma, não poderiam sentir dor. Nessa época, difundiu-se na Europa a prática da vivisseção. Jeremy Benthan foi o filósofo que reconheceu como um princípio moral básico a igualdade de interesses, aplicando-o a outras espécies da mesma forma que aplicaria a espécie humana, ou seja, os interesses de cada ser afetado por uma ação devem ser levados em conta, e receber o mesmo peso que os interesses semelhantes de qualquer outro ser. O autor, em 1789, lança as bases para o  tema bem-estar animal, com o a pergunta: A questão não é, eles são capazes de  raciocinar, nem São capazes de falar mas sim,Eles são capazes de sofrer? Ou seja,o que confere a um ser o direito a igual consideração com outros seres é o direito de sofrer e/ou de sentir prazer ou felicidade. A publicação do livro Animal Liberation de Peter Singer , em 1975, iniciou um debate sobre a utilização de animais para experimentação, onde o autor denuncia o uso de animais principalmente pela indústria cosmética, o que deu início a uma série de manifestações públicas.contra tal fato. Nesse mesmo período, os experimentos realizados pelas Forças Armadas Americanas, tanto com macacos como com cães da raça beagle provocou uma onda de protesto nos Estados Unidos. As definições realizadas por Russel e Burch, em 1959, que publicaram os 3 Rs da Experimentação animal: replace, reduce, refine, tem orientado a utilização de animais em pesquisas científicas. Devem ser respeitados critérios mínimos, que imponham limites de dor e sofrimento aos animais e os projetos necessariamente devem ser avaliados por um comitê independente.
Em relação a utilização de animais para fins didáticos, uma mudança está em curso. A pressão da opinião pública tem alavancado o desenvolvimento de modelos inanimados e outros métodos substitutivos a utilização de animais vivos e sadios para o ensino. Nos Estados Unidos e Canadá e mais timidamente, também no Brasil, o número de escolas de Veterinária que utilizam animais vivos para suas práticas cirúrgicas vem decrescendo. Buyukmihci afirma que  a morte de animais no ensino de Medicina Veterinária continua mais por conveniência ou hábito, e não por que é pedagogicamente necessário, existindo, no momento, muito mais alternativas do que matar animais sadios. Os estudos buscando alternativas para disciplinas como fisiologia, farmacologia e cirurgia tem avançado bastante. No Brasil, já tem escolas utilizando somente cadáveres para o ensino de cirurgia, enquanto que outras utilizam também peças provenientes de abatedouro, bem como a realização de programas de esterilização de caninos e felinos, que são disponibilizados aos alunos com o objetivo de promover treinamento cirúrgico aos acadêmicos e de inseri-los nas questões humanitárias que envolvem o bem-estar animal.
A questão da ética e do bem-estar animal que começa a ser discutida dentro da comunidade acadêmica e científica sinaliza novos tempos que passa pela  conscientização a respeito do BEA e caminha para as  mudanças que virão decorrentes desse processo.


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