Animais não falam, mas existem
evidências que podem demonstrar que os
animais estão sendo abusados. O médico veterinário muitas vezes se depara com
casos na sua rotina clínica que o faz pensar em abuso e violência contra o
animal. Recente trabalho publicado pela Dra. Lydia Tong, veterinária australiana,
apresenta diferenças entre fraturas provocadas e aquelas acidentais. Trabalhos nesse sentido vêm desafiando
veterinários patologistas e peritos forenses, que de posse desses diagnósticos
podem contribuir para diminuição da violência domestica. Cada vez mais se
publicam evidências que mostram a correlação entre violência doméstica e abuso
animal.
O objetivo do estudo foi
investigar as fraturas que ocorrem acidentalmente das fraturas não acidentais em
cães. Compararam-se as características radiográficas de fraturas em 19 cães com
fraturas de abuso e 135 cães com fraturas acidentais. Os achados radiológicos
indicaram cinco características que devem elevar o índice de suspeita de abuso e
apoiar um diagnóstico de Fraturas Não Acidentais:
(1) a presença de múltiplas
fraturas;
(2) as fraturas que ocorrem
em mais de uma região do corpo (membro anterior, dos membros posteriores, ou
axial);
(3) as fraturas transversas;
(4) as fraturas que se apresentam numa fase posterior de cura (apresentação em
atraso);
(5) múltiplas fraturas em
diferentes estágios de cura.
Muitos achados deste estudo
se correlacionam com os padrões observados em fraturas não acidentais em humanos.
No entanto, alguns aspectos apresentam diferenças significativas, chamando a atenção
para que que a ciência forense veterinária não pode se
basear em dados de estudos humanos
existentes.
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