terça-feira, 21 de outubro de 2014

CÃES CUIDADORES

   Dentre as espécies de animais que cuidam outros animais, os cães são os mais conhecidos. Muitos exemplos aparecem nas mídias sobre cães que auxiliam humanos e outros animais, o que torna o tema bastante popular.
      Na Europa e na Ásia, cães cuidadores são utilizados há séculos para guardar ovinos e caprinos.
      Treinar filhotes para serem cuidadores requer tempo, esforço e sorte.
   Há que se diferenciar cães de pastoreio de cães cuidadores. Cães de pastoreio normalmente trabalham sob comandos verbais ou através de sinais de seus handlers e não ficam sozinhos com o rebanho, diferente de cães que guardam rebanhos.
    Animais cuidadores são desencorajados a morder, perseguir e latir na propriedade e atuam independentes das pessoas. Devem ser inteligentes, alertas e confiantes.  Agem de forma independente e instintivamente enquanto estão cuidando do rebanho.  Na presença de um intruso são protetores dos seus animais e confrontam o predador.
    Quando se busca um cão para cuidar de rebanhos devemos procurar aqueles que mostram-se confiantes e alertas além de verificar o temperamento dos  pais do filhote , se são bons cuidadores. Machos ou fêmeas podem ser utilizados para cuidar animais, embora se deva levar em conta o sexo quando tem muitos animais a serem protegidos.  A esterilização pode ser benéfica e deve ser realizada aos seis meses nas fêmeas e aos nove meses nos machos. Porém ela não é um delimitador em relação à aptidão dos animais. Auxilia no manejo, principalmente em situações de cães vadios que se aproximam da propriedade e no manejo das fêmeas, pois evitará períodos que essas deverão ser retiradas do rebanho, como cio, gestação e amamentação.

Cuidados e treinamento

     Inicia-se somente com um cão. Caso necessite de mais animais, agrega-se posteriormente.  Com essa medida, evita-se que os animais brinquem e se envolvam entre eles. Para que o filhote demonstre o instinto desejado de um cão cuidador, um vínculo deve ser formado entre o cão e o rebanho. A melhor idade para uma convivência contínua entre o cão e o rebanho é a partir das sete ou oito semanas.
       A socialização nos cães é a fase do desenvolvimento em que o apego emocional se cria rápida e facilmente. O processo começa cedo, às três semanas, tem seu pico entre seis a oito semanas e decresce nas 12 semanas. Um cão introduzido no local depois desse período poderá ter problemas de timidez e dificuldades de ajustar-se ao ambiente.

    O local ideal para treinar um cão cuidador deve ser um curral pequeno,preferencialmente que o filhote não possa escapar. Isso auxilia na criação do vínculo entre ele e o rebanho.O curral deve ter aproximadamente 45 m2 e ser feito de maneira que pode ser expandido à medida que o cão vai crescendo. Para o treinamento, devem ser introduzidos no local de três a seis animais da espécie que será protegida, preferencialmente jovens. Caso não seja possível, devem ser escolhidos animais dóceis que não irão entrar em conflito com o filhote.Devem ser alternados os animais para que o cão conviva com indivíduos com comportamentos diferentes para que se aproxime o máximo possível do que ele irá encontrar quando efetivamente estiver guardando o rebanho. O curral deverá ter uma área onde o rebanho possa ficar separado do cão.  Painéis de madeira ou de arame onde somente o filhote poderá passar, e não o rebanho, poderão ser colocados para delimitar essa área. A comida e o abrigo do cão deverão ficar na área delimitada para ele, enquanto que a água poderá ser utilizada em comum, possibilitando a interação das duas espécies.  Nos primeiros dias,o local deverá ser observado várias vezes ao dia para verificar a interação entre o cão e o rebanho e se o filhote está se alimentando e tendo acesso a água. Nesses primeiros dias é permitido afagar o cão, mas deve-se evitar manuseio excessivo. No processo de socialização deve ser dado ênfase a interação cão/rebanho. A associação cão/humano deve ser minimizada. Cães jovens com cordeiros apresentam bons resultados de interação formando-se fortes vínculos entre eles. Depois do treinamento, muitos cães quando são soltos no rebanho desenvolvem um senso muito grande de responsabilidade embora alguns devam ser constantemente monitorados. Alguns mostram dificuldades de serem removidos de uma pastagem para outra.  A individualidade de cada cão deve ser respeitada, pois respondem diferentemente uns dos outros. Também o nível de contato dos humanos com os cães variam dependendo do temperamento e características de cada animal. É necessário que em locais onde os rebanhos são criados mais extensivamente, exista um abrigo para o cachorro, onde ele possa ter sua comida e se proteger das intempéries A medida que o cão vai se tornando adulto, menos contato com os humanos será necessário, devendo ser preservado o mínimo para que o animal não fique demasiado tímido  e também para possibilitar o manejo sanitário do cão.  Devemos levar em conta que um cão cuidador é um cão de trabalho e como tal deverá ser tratado, por isso a importância de verificar a real aptidão do animal e respeitar seu temperamento. 
Publicado em: A Hora Veterinária – Ano 33, nº 196, novembro/dezembro/2013

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